Castração é um assunto que ainda divide opiniões. Algumas pessoas ficam receosas e não conseguem tomar uma decisão. A dúvida é um sinal positivo, pois isso significa que o tutor deseja entender melhor sobre o assunto antes de castrar o Pet. Quais são os benefícios? Existe algum perigo? Quais os cuidados necessários? Todas essas questões são importantes e precisam ser esclarecidas por um especialista.

Mas fique tranquilo! Se você está neste momento de decisão, o Pet Booking vai te ajudar.

 

Convidamos o médico veterinário João Vitor Aranha, clínico geral e especialista em anestesia do hospital Alpri Vet Premium, para responder às principais dúvidas sobre o assunto:

 

1. O que é a castração?

Castração é um procedimento cirúrgico, que consiste na remoção do útero e ovários da fêmea (ovariohisterectomia) e dos testículos dos machos (orquiectomia), com o intuito de interromper a produção hormonal por meio da esterilização para benefício do próprio Pet.

 

2. Por que o procedimento é indicado pelos veterinários?

Acima de qualquer outro motivo, a castração é feita para melhorar a qualidade de vida do Pet, especialmente por meio da prevenção de doenças. Ela minimiza a probabilidade de câncer de mama nas fêmeas e, no caso dos machos, o desenvolvimento de tumores nos testículos e na próstata. Além disso, o controle reprodutivo permite também a redução da superpopulação de animais. Assim teremos menos cães e gatos abandonados nas ruas.

 

3. Mas meu Pet pode sofrer de algum problema ao ser castrado?

A castração não oferece malefícios ao Pet, mas alguns cuidados precisam ser tomados pelo tutor, principalmente na escolha do lugar para que todo o procedimento, incluindo a aplicação da anestesia, aconteça da forma correta. A castração deve ser feita por um profissional preparado e de confiança. Além disso, nos primeiros 7 dias após o procedimento, o Pet deve ser observado e cuidado com muita atenção.

 

4. E depois desse período, pode ocorrer algum efeito colateral?

Pode haver mudança de comportamento, mas isso é muito relativo, acontece de forma diferente em cada raça. O mais importante é que o tutor esteja disposto a observar atenta e pacientemente o comportamento seu Pet. Como o procedimento ocasiona uma diminuição da produção hormonal, o cão pode apresentar aumento de peso ou indisposição para atividade física e isso deve ser controlado pelo tutor. Em gatos isso não acontece.

 

5. Então, o procedimento pode ser contraindicado para algumas raças de cães?

Isso é uma questão importante. Tudo depende da consciência do tutor. A castração é sempre benéfica, mas como existem essas mudanças comportamentais, o tutor precisa estar absolutamente consciente. Cães da raça Pug e Buldogue, por exemplo, já possuem tendência a engordar. Neste caso, o aumento do peso pode ocasionar problemas nos joelhos ou coluna do Pet. Isso significa que ao castrar um cão dessa raça, o tutor terá que se comprometer a redobrar os cuidados.

 

6. Na sua opinião, por que o assunto ainda é polêmico? Existe alguma dúvida sobre os efeitos benéficos do procedimento?

Na verdade, a dúvida não é sobre castrar ou não castrar. Mas sim sobre a conscientização do tutor. No caso do Buldogue, por exemplo, é importante ter cuidados para que ele não engorde. É uma mudança hormonal, e essa mudança gera mudanças também comportamentais que são muito relativas. Então, a polêmica está na motivação do tutor. Por que ele quer castrar seu Pet? Se for para deixá-lo mais calmo, por exemplo, não adianta! Sempre que alguém vem ao meu consultório, eu gosto de deixar bem claro: a saúde do Pet deve ser sempre o principal motivo para se optar pela castração.

 

7. Falando sobre mudanças comportamentais do Pet, é verdade que a castração pode deixá-lo mais tranquilo e até com aparência de abatido ou triste?

Bom, isso realmente é muito relativo. O tutor deve sempre estudar a raça do seu Pet ou pedir orientações a um especialista. Porque essa mudança também tem a ver com a raça. Se você tem um cão que é naturalmente mais preguiçoso, é possível que a mudança hormonal o deixe mais indisposto. Algumas pessoas associam indisposição à tristeza, mas todo Pet tem seus momentos de preguiça. Isso é algo que acontece naturalmente, especialmente com a chegada da idade sênior. Não pode confundir com tristeza.

 

8. Algumas pessoas decidem castrar para que o Pet fique mais comportado. Então, isso não faz sentido?

Não é correto. Como eu disse, a saúde do Pet vem sempre em primeiro lugar. Conheci uma pessoa que havia decidido castrar seu cão antes dele começar a levantar perninha, evitando assim que ele saísse por aí demarcando território. Não adiantou. Mesmo assim, o cãozinho saia fazendo xixi pela casa. O comportamento do Pet está relacionado a sua raça e hábitos de criação. O Beagle, por exemplo, mesmo castrado continuará agitado.

 

9. Tudo bem. Agora que meu Pet foi castrado, quais são os cuidados necessários?

Nos primeiros 7 dias, seguir corretamente a medicação orientada pelo médico veterinário e usar a roupinha cirúrgica nas fêmeas e o colar elizabetano nos machos. Além disso, é importante evitar que o Pet suba em lugares altos, fique coçando a região dos pontos e faça atividades muito agitadas. O repouso é muito importante neste momento.

 

“O principal foco da castração está em evitar doenças e melhorar a qualidade de vida do Pet”, reforça João Vitor. Isso deve ser o ponto de partida para qualquer decisão de um tutor. Antes, durante e depois da castração, o Pet deve ser observado, cuidado e amado. Isso é o que poderá garantir o bem-estar de todo cãozinho e gatinho.

Viu só? Agora você pode tomar sua decisão de consciência tranquila. O importante é que seu Pet cresça de forma feliz e saudável.

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